quarta-feira, 17 de março de 2021

COVID E EDUCAÇÃO

 

*Roberto Gondim Pires




A questão que mais tem afligido a pais, estudantes, professores e a sociedade em geral, é: quando retornaremos aquele NORMAL? Insito: não pode existir respostas simples para problemas complexos. Estamos vivendo uma DISSONÂNCIA COGNITIVA (pensamos de uma forma e agimos de outra). Eu tenho dito que a Educação para mim, é mais do que definição de normas, regimentos, regramentos, mas, isso não significa dizer que esse elementos não sejam importantes. Tive a oportunidade de ter uma familia visionária, de ter estudado em uma escola pública que me alicerçou, aliás, esse critério de sorte e azar para quem estuda em escola pública é algo urgente de se pensar. Os estudantes de algumas cidades dão sorte? Os Que nasce em Sobral deram sorte? Em Licinio de Almeida? A julgar pela qualidade da educação apontada pelos indices educacionais. “QUALIDADE PARA POUCOS NÃO É QUALIDADE, É PRIVILÉGIO” (GENTILI, 1995;177).

A ONU está colocando que estamos diante de uma “catastrofe geracional” são mais de 01 bilhão de estudantes fora da escola em todo o mundo. Certamente muitos ficarão para trás, se o fenômeno da evasão e desistência de estudante já se constituia como algo real, esse quadro tende a se agravar. Este me parece ser o nosso grande dever de casa – Não deixar ninguem para trás. A situação é de incertezas, não existe precedentes que permitam uma orientação mais segura mas, na boa, a pandemia só escancarou, e verdadeiramente ela permitiu visualizar o que antes parecia não ser tão nítido, a diferença social abissal que temos em nossas escolas. Vimos com mais nitidez a tamanha desigualdade local/regional/nacional: menos de 40% dos estudantes da educação básica tem computador em casa; mais da metade dos Estados brasileiros tem domicílios com menos de 60% de acesso a conexão de internet banda larga; dentre tantos outros dados que agora são mostrados com maior nitidez, que revelam que já vivíamos em uma profunda desigualdade no ambiente da Educação.

Descortinada essa realidade, o cuidado precisa ser acentuado, pois, a Educação é a atividade mais humana que existe – a sua prática permite aos povos apropriação e compartilhamentos de cultura e isso nos permite viver em comunidade. Se não pode para todos – não temos alternativas – é ético proceder de forma diferente? fazer o contrário só reforçaríamos a ampliação do POÇO da desigualdade.”NENHUMA MUDANÇA É ESPONTÂNEA”

Precisamos apontar para a segurança de todos (não dá para pensar em voltar as atividades presenciais com os números de casos subindo), não avaliar a indicação do retorno presencial, não significa imobilismo, temos muito a fazer e muitos estão fazendo. A Professora Maria Helena, presidente do CNE tem afirmado “Esse momento tem nos apresentado diversas alternativas educativas”, de fato é verdade. Precisamos demarcar a importância da resistência da educação e apontar para a necessidade de defender a qualidade com equidade e isto tem muito a ver com as formas de acesso. (Levar a sério as alternativas, mesmo que reconhecidamente imperfeitas) – redução de danos. Tudo isso para pensar: como minimizar os impactos na aprendizagem dos estudantes nesse período. Pesquisas revela que a inatividade das atividades pedagógicas podem indicar dois problemas que se complementam: 1 – retrocesso da aprendizagem dos estudantes por muito tempo de inatividade e 2 - no caso específico para o EM uma evasão absurda.

As atividades alternativas a presencialidade devem continuar como forma de minimamente continuar a permitir, se é que existia de fato, o vínculo do estudante com a escola.  Vamos Cuidar da vida, o conteúdo recuperaremos depois, se realmente entendermos o que está acontecendo, verdadeiramente não será um ano perdido.

Vamos pra frente. “Pois de amor andamos todos precisados, em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija, nos dê paciência e esperança, Força, capacidade de entender, perdoar, ir em frente”. Carlos Drumont de Andrade.




*Atualmente diretor do Departamento de Saúde 1 no Campus de Jequié, teve a experiência de ser gestor estadual na antiga DIREC 13 por 4,5 anos e gestor municipal na Secretaria Municipal de Educação de Jequié, atualmente vice presidente do CEE-BA.

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